Cinomose – Quais os Sintomas? Como é Transmitido? Tem Tratamento?

A cinomose é uma doença grave canina, que geralmente, acomete filhotes antes de 1 ano de vida.

O que é Cinomose?

Cinomese trata-se de uma doença que costuma afetar diversos órgãos do animal. A patologia é grave, levando muitos cães contaminados ao óbito.

A doença atinge, geralmente, os filhotes com menos de 1 ano de idade. Algumas vezes pode atingir cães mais velhos. Isso acontece quando eles não foram vacinados de pequeno e estão com imunidade baixa.

A doença é altamente contagiosa entre cães. Ela é causada por um tipo de vírus que é capaz de sobreviver muito tempo em ambientes frios e secos e cerca de um mês em lugares quentes e úmidos.


Causas

O contágio da doença se dá por meio do contato do cão, geralmente, filhotes, pelo contato direto com animais infectados ou pelos vírus que sobreviveram em locais onde estiveram animais com a doença. O contágio ocorre pelas vias aéreas.

um cachorro sofrendo com a Cinomose

Sintomas da Cinomose

Assim que o animal é infectado existe um período de incubação do vírus que vai de 3 a 15 dias. Esse é o tempo que leva para o agente causador começar a afetar o organismo do animal. Depois do tempo de incubação do vírus, o cão inicia com os sintomas da Cinomose.

Os primeiros sintomas da patologia costumam ser febres que podem atingir dos 41º C, apatia, vômitos, perda de apetite, diarreia e corrimentos nasais e oculares. Esses sintomas tem a duração de aproximadamente 2 dias.

A doença, então, como a evoluir. Com isso o animal pode apresentar comportamentos anormais, como se não tivesse nenhuma doença, apenas um mal estar passageiro.  Essa fase da doença pode durar até alguns meses.  Depois dessa fase surgem os sintomas mais específicos da cinomose. A intensidade dos sintomas depende de como o organismo de cada cão reage à doença e do estado do sistema imunológico.

Entre os sintomas que podem se iniciar estão novamente a diarreia, os vômitos e os corrimentos nasais e oculares. Porém, inicia-se sintomas neurológicos e o cão contaminada passa a apresentar dificuldades na coordenação motora, convulsões, tiques nervosos e paralisias em algumas partes do corpo.

Outros sintomas da Cinomose

um cão com os sintomas da Cinomose

Conforme o estado imune do cão, ele pode vir a falecer frente a somente um sintoma. Ou pode sobreviver, passando por todos os sintomas e ficando, geralmente, com sequelas.

A segunda fase da cinomose costuma causar no cão febre, vômitos, falta de apetite, extrema apatia e dificuldades de respirar. Em seguida, o cão costuma apresentar conjuntivite com a presença de muita secreção, secreções nasais acentuadas e pneumonia.

Passadas de 1 a 2 semanas, geralmente, os sintomas neurológicos voltam a afetar o cão. O animal pode se tornar agressivo, chegando a não reconhecer os seus proprietários. Isso acontece porque há presença de uma inflação no cérebro provocada pela patologia.

Também podem ocorrer paralisia dos músculos da face do animal, o que dificulta que ele ingira líquidos ou se alimente. Isso é causado por lesões medulares e cerebrais, pois o vírus provoca a paralisa no quarto posterior do cérebro do animal. Problemas no andar também podem acontecer, assim como insônia.

Esses sintomas tendem a ir se agravando com os dias, de forma lenta ou rápida – depende do cada animal. Depois disso, caso a ação do vírus não regrida, geralmente, o animal vai ao óbito.

Transmissão

A doença canina é altamente contagiosa e é transmitida pelo vírus Canine Distemper Vírus, conhecido também como Vírus da Cinomose Canina e Vírus da Esgana Canina. O vírus pertence à família paramixovirirdae e ao gênero morbilivírus. Trata-se de um vírus extremamente resistente.

O Canine Distemper Vírus também se caracteriza por ser considerado oportunista e agressivo, afetando principalmente cães que estão com o sistema imunológico comprometido.

Os cães mais afetados pela doença são os filhotes, de 3 a 6 meses de idade, aproximadamente. Esse período de vida do animal corresponde exatamente com a perda de alguns anticorpos maternos, devido ao desmame. Portanto, é fundamental que o cão tome a última dose da  vacina v10 ou v11 aos 4 meses de idade.

Observa-se que algumas raças de cães tem mais probabilidade de seus filhotes serem afetados pela cinomose. São elas:  Greyhound,  Husky Siberiano, Samoieda, Weimaranere e Malamutes do Alaska. No entanto, vale ressaltar que nenhuma raça de cão está imune a doença, incluindo os cães sem raça definida.

Vacina

As vacinas que fazem a prevenção da cinomose são a v8, v10 e v11. A primeira dose da vacina deve ser recebida aos 2 meses de idade e a segunda, aos 3 meses de vida. A terceira dose deve ser aplicada aos 4 meses de idade.

Apenas após a aplicação da terceira dose da vacina é que considera-se que o animal está protegido contra a cinomese.

Quais as sequelas da Cinomose?

Os cães que sobrevivem à doença costumam ficar com sequelas. Entre as principais delas estão:

  • Tiques nervosos
  • Tremores musculares
  • Paralisia de um membro ou de todos
  • Dificuldade de andar

Tratamento para Cinomose

A cinomose é uma doença de tratamento muito difícil em relação a sua eficácia. A taxa de sucesso do tratamento pode ser considerada extremamente insatisfatória: de 10 a 15% dos casos.

O tratamento visa amenizar os diversos sintomas causados pela doença. Dentre as principais práticas tomadas estão:

  • Uso de antibióticos e e medicações anti-piréticas para aliviar as infecções que afetam o sistema digestório e o sistema respiratório dos cães doentes
  • Uso de medicações expectorantes e bronco dilatadoras para ajudar a eliminar as secreções que afetam os pulmões do animal
  • Administração de analgésicos para dores musculares e para abaixar estados febris causados pela doença
  • Dar soro ao animal doente, para evitar a desidratação provocada por casos de diarreia
  • Administração de medicações anticonvulsivantes quando houver a ocorrência de crises de convulsão, em razão do acometimento do sistema nervoso central
  • Uso de suplementos nutricionais, para aumentar a imunidade do cão e, assim, o organismo ter condições de combater o vírus
  • Adoção de tratamentos alternativos, como a acupuntura, para melhorar as dificuldades de locomoção do animal doente.

Tratamento caseiro para Cinomose

Algumas pessoas indicam tratamentos caseiros para ajudar na cura da cinomose. Tais tratamentos podem ser válidos, porém, não substituem as indicações do médico veterinário. Além disso, é recomendado fazer os tratamentos caseiros para a cinomose com a autorização do profissional responsável pelos cuidados do animal.

Uma das receitas caseiras para tratar a cinomose é o suco de quiabo. Recomenda-se preparar um suco com quiabo batido com água no liquidificador. A receita prevê o uso de 6 a 8 quiabos e cerca de 600 ml de água. A mistura deve ser batida até formar um suco homogêneo.

É indicado dar o suco feito ao cão doente de 2 a 3 vezes ao dia.

Outro método caseiro é dar ao animal bebidas isotônicas, como o Gatorade. O motivo para dar a bebida ao cão é que o organismo acaba absorvendo sais minerais importantes para a alta da sua imunidade para combater o vírus da cinomose. Recomenda-se que a bebida isotônica seja dada a cada 45 minutos ao cão, durante o dia todo – incluindo a madrugada.

Para facilitar a ingestão da bebida por cães que se recusam a beber o isotônico, pode ser utilizada uma seringa sem agulha e administrar a substância na lateral da boca do cão. Se o paciente for filhote, recomenda-se meia seringa, já adultos, uma seringa cheia.

Diagnóstico

O diagnóstico da cinomose é feito pelo médico veterinário. Ele é muito importante para que se possa iniciar o tratamento o quanto antes. O médico veterinário, geralmente, detecta a presença da doença por meio dos sintomas clínicos. São eles:

um filhote de cachorro deitado

  • Febre sem motivos
  • Apatia (o cão não desenvolve atividades, como correr e brincar)
  •  Tosse
  • Espirros
  • Perda de apetite
  • Diarreia
  • Vômitos
  • Secreções nasais
  • Falta de coordenação motora para caminhar
  • Secreções oculares (conjuntivite)
  • Contrações musculares involuntárias
  • Tiques nervosos
  • Paralisia
  • Convulsões

Vale saber que os sintomas podem variar de animal para animal, assim como o processo da evolução da doença. Não é possível prever quais sintomas um cão com cinomose irá a presentar nem a velocidade da progressão da patologia.

Existe um exame de sangue que confirma a presença de cinomose, porém, geralmente ele não é realizado nos pacientes até o momento. Isso porque o exame se encontra em fase de teste e está limitado a universidades centros de pesquisas do interior do país.  Ainda vale saber que um dos sinais mais comuns da cinomese é a contração involuntária dos músculos. Trata-se de um sinal bastante específico da doença, facilitando o diagnóstico pelo médico veterinário.

Ao afetar o sistema neurológico do cão a doença pode ser considerada em estágio grave e o tratamento deve começar imediatamento, com a administração de anticonvulsivantes para reduzir as crises. Também a partir dessa fase podem existir a presença de sequelas, incluindo a presença de meningite. O cão ainda pode ficar paraplégico ou tetraplégico. A doença ainda pode evoluir para o estado de coma e, posteriormente, óbito.

Pergunta dos leitores

Cinomose pega em humanos?

Não, cinomese não se trata de uma zoonose, ou seja, não é transmitida aos seres humanos.

Cinomose pega em gatos?

Gatos tem menos probabilidade de contrair a doença por motivos genéticos, mas em alguns casos pode pegar também a cinomose.

Cinomose tem cura?

Sim, mas dependendo do tratamento adequado e, principalmente, da resposta do organismo do cão contaminada às práticas tratativas. Estima-se que 15% dos animais atingidos pela doença sobrevivem. Os sobreviventes, geralmente, ficam com sequelas que podem ou não sofrerem remissão no decorrer da passagens dos anos.